A qualidade do solo determina a produtividade das lavouras no Paraná, mas o manejo adequado consegue superar as limitações naturais de cada região. Um estudo da Rede Paranaense de Agropesquisa e Formação Aplicada, financiado pelo Sistema FAEP e pela Fundação Araucária, acompanha essa transformação em sete municípios do estado desde 2024.
As pesquisas ocorrem em áreas experimentais em Presidente Castelo Branco e Cianorte (Noroeste); Cambé (Norte); Ponta Grossa (Campos Gerais); Guarapuava (Centro-Sul); Dois Vizinhos (Sudoeste) e Toledo (Oeste). Os resultados consolidados saem em 2029, mas já indicam padrões claros sobre como o clima, a textura do solo e as práticas adotadas pelos produtores se relacionam.
Duas realidades de solo no estado
O estudo mapeou dois grupos principais. Nas regiões de Guarapuava, Dois Vizinhos, Toledo e Cambé, o solo argiloso retém água e nutrientes com facilidade, favorecendo soja, milho e trigo. Em Guarapuava especificamente, o clima mais frio acumula matéria orgânica, o que aumenta ainda mais a capacidade do solo armazenar e disponibilizar nutrientes para as plantas.
Já em Cianorte, Presidente Castelo Branco e partes de Ponta Grossa, o solo é mais arenoso e naturalmente menos fértil. Nesses lugares, a decomposição dos resíduos vegetais é rápida, o que reduz a matéria orgânica mesmo em solos argilosos. “Nestas áreas, é necessário produzir e manter palhada sobre a superfície ao longo do ano”, explica o pesquisador Marcelo Marques Lopes Müller, da Universidade Estadual do Centro-Oeste.
Técnica corrige o que a natureza não entrega
Em Ponta Grossa, produtores conseguiram transformar solo de textura média a arenosa e baixa fertilidade natural em área produtiva. A chave foi combinar plantio direto, rotação de culturas e uso de corretivos, que elevaram a matéria orgânica e nutrientes aos níveis encontrados naturalmente em solos argilosos.
Os pesquisadores testam terraços em algumas áreas para controlar erosão e escoamento de água. Em Toledo, o revolvimento do solo para construir os terraços reduz temporariamente fósforo, potássio e a capacidade de troca de cátions. Mas a prática permanece essencial quando acompanhada de técnicas que recompõem a cobertura e estabilidade do solo.
Marcio Spinosa, diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fundação Araucária, destaca que “esse trabalho mostra como os investimentos em ciência, tecnologia e inovação podem gerar resultados concretos para a sociedade”.
Estratégia agrícola por região
As condições naturais de cada área do Paraná explicam por que a produção se distribui de formas diferentes. Na Serra do Mar, o relevo acidentado e os solos rasos levam ao cultivo de banana. No Primeiro Planalto, próximo a Curitiba, o clima frio favorece hortaliças e frutas. O Terceiro Planalto, onde estão Guarapuava, Dois Vizinhos, Toledo e Cambé, oferece as melhores condições para grãos em larga escala.
No Segundo Planalto, onde fica Ponta Grossa, é possível ampliar a produção de grãos além das pastagens permanentes e reflorestamento como alternativas. A pesquisa reforça que conhecer o solo e adaptá-lo é caminho para aliar produtividade e sustentabilidade na agropecuária estadual.
Redação Tudo Acontece Aqui·Expediente·Correções


