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Campo Largo debate saúde mental de idosos com atividades, amizades e voluntariado

A saúde mental da população idosa de Campo Largo ganhou destaque no Setembro Amarelo com uma roda de conversa sobre como ressignificar a vida após a aposentadoria e na terceira idade. A ação, realizada pela Prefeitura no último dia 18 de setembro, integra o Programa Envelhecer Saudável e reuniu idosos para falar sobre memórias, perdas, convívio familiar e solidão.

A psicóloga Maria Cristina Stival mediou a dinâmica, propondo que cada participante levasse um objeto que representasse uma lembrança significativa. A partir daí, ela abordou como cada pessoa constrói suas memórias ao longo da trajetória de vida. “Cada nova etapa traz seus próprios desafios – as dificuldades aos 50 anos não são as mesmas que aos 60, aos 70, 80, 90”, destacou.

Segundo Stival, envelhecer com dignidade exige priorizar o autocuidado, buscar estímulos físicos e motores, aprender coisas novas e valorizar hobbies manuais, sempre respeitando os próprios limites. Ela explicou também o conceito de psicogerontologia, área que dá ferramentas para lidar com a vida e foca em dar autonomia, incentivar participação social e valorizar as experiências e memórias dos idosos.

Aposentadoria e o vazio da rotina

O fim do trabalho é motivo comum de sofrimento mental na terceira idade. Mariane Bonato, psicóloga do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS II), explica que essa transição exige compreensão: “O trabalho faz parte da sua identidade. Quando a pessoa fica idosa, os filhos estão numa fase muito produtiva, estão fazendo mil e uma coisas. Então, a solidão também pega”.

Segundo Mariane, atividades sociais são essenciais nessa fase. Grupos de baralho, futebol, crochê e amigos fazem diferença. Ela também aponta programas nas unidades de saúde, como o Hiperdia e o Dia do Diabético, como oportunidades para cuidar da saúde física e conversar com outras pessoas.

Voluntariado e redes de amizade

Em Campo Largo existem cerca de 20 mil idosos, conforme dados de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Muitos deles encontram propósito em projetos voluntários. O projeto Crocheteiras de Campo Largo produz mantas e roupas para doações nos hospitais da cidade, atuando como rede de acolhimento que estimula o pertencimento social.

Maria Madalena Getikoski, 80 anos, é professora aposentada do Colégio Estadual Sagrada Família (CESF) e continua lecionando matemática particularmente. Ela conheceu as Crocheteiras durante um momento de luto e, ali, reconectou com antigas alunas e mães de alunos. “A minha cabeça foi trabalhando melhor”, relata. Além disso, participa do Apostolado, grupo que se reúne toda segunda-feira para orações nas casas da comunidade.

Josélia Dalagrana, 60 anos, iniciou psicoterapia há cinco anos após ser relutante. “Depois de um certo tempo, eu comecei a fazer terapia. E foi uma coisa que me ajudou muito a entender muita coisa que aconteceu”, conta. Como professora, ela encontrou no voluntariado uma forma de ressignificar perdas e construir amizades.

O que muda ao envelhecer

Cada fase da vida traz desafios específicos. A transição para a aposentadoria, a viuvez, a perda de identidade ligada ao trabalho e o isolamento social são questões que afetam idosos. Por isso, especialistas reforçam a importância de manter-se ativo, aprender coisas novas e envolver-se em atividades que tragam propósito.

O Programa Envelhecer Saudável oferece encontros periódicos com rodas de conversa, atividades físicas, palestras orientativas e cuidados em saúde. A recomendação dos profissionais é buscar alternativas como centros de convivência, igrejas, trabalho voluntário e grupos de interesse. “Não deixe de fazer isso por você. Pense que agora é o momento de dar um outro olhar, um novo sentido para a sua vida”, aconselha Maria Cristina Stival.

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