Dois aeroportos da Grande Curitiba funcionam como pontos estratégicos na corrida contra o tempo para transportar órgãos e equipes médicas: o Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, e o Bacacheri, em Curitiba. Juntos, eles integram a logística do Sistema Estadual e Nacional de Transplantes.
O Bacacheri recebeu 116 pousos trazendo órgãos em 2025. Até 11 de setembro de 2026, a marca já era de 94 pousos, o equivalente a 81% de todo o volume do ano anterior. Se o ritmo se mantiver, a projeção é de aproximadamente 135 pousos em 2026, cerca de 16% acima de 2025.
No Afonso Pena, foram registrados 10 pousos com órgãos em 2025 e sete até 11 de setembro de 2026, em operações da Casa Militar do Paraná. Além disso, dezenas de órgãos são transportados diariamente por companhias aéreas como Azul, Gol e Latam, que também integram o sistema logístico. Nos dois aeroportos, o total foi de 101 pousos com órgãos em 2026, contra 126 durante todo 2025.
O Bacacheri não funciona com voos comerciais regulares e é dedicado à aviação geral. Sua localização estratégica, próxima ao centro de Curitiba, reforça a importância em operações especiais. No local funciona a Divisão de Transporte Aéreo da Casa Militar do Paraná, que participa de missões de captação e transporte de órgãos e equipes médicas.
Embora o Bacacheri tenha funcionamento regular até as 22h, os procedimentos operacionais permitem que o aeródromo seja aberto para receber voos durante a madrugada quando se trata de transporte de órgãos. Assim, aeronaves conseguem pousar fora do horário comum, garantindo que os órgãos e equipes cheguem dentro da janela de tempo necessária.
“O transporte de órgãos exige uma operação diferente de um voo convencional. Existe uma janela de tempo que precisa ser respeitada e, por isso, o aeroporto precisa estar preparado para responder rapidamente”, afirma Eduardo Schein, gerente do Aeroporto do Bacacheri.
Por que Curitiba é estratégica
O Paraná é líder nacional em doadores de órgãos por milhão de habitantes. Em 2024, o Estado registrou 42,3 doadores por milhão de população, mais que o dobro da média nacional, de 19,2. Em 2025, foram realizados no Paraná 2.255 transplantes de órgãos e tecidos: 460 de rim, 293 de fígado, 31 de coração, 1.066 de córnea e 405 de medula.
As missões de transporte de órgãos têm prioridade operacional nos 17 aeroportos geridos pela Asur Brasil, empresa que administra Afonso Pena e Bacacheri.
Exposição sobre doação de órgãos
O Aeroporto Internacional Afonso Pena recebe, entre 21 de setembro e 21 de outubro, a exposição “Histórias de Transplantes”, composta por 5 mil tsurus, tradicionais dobraduras japonesas associadas à esperança. Instalada no saguão do terminal, a obra representa as mais de 5 mil pessoas que aguardam, no Paraná, por um órgão ou tecido para transplante.
Com mais de 15 mil pessoas circulando diariamente pelo terminal, o Afonso Pena é um importante espaço de contato com o público. Os passageiros poderão conhecer histórias de pessoas que passaram por transplantes e informações sobre doação de órgãos. A ação contou com participação de 15 colaboradores do aeroporto na produção das dobraduras.
“O aeroporto é um espaço de passagem, mas também pode ser um espaço de informação e conscientização”, afirma Eden Pisani Junior, gerente do Aeroporto Internacional Afonso Pena.
Em 2026, o Hospital Angelina Caron contabiliza 34 transplantes renais, 24 de fígado, 20 de medula óssea e quatro de coração, entre outros procedimentos.
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