Paranaguá está virando referência para outros municípios do Paraná na organização de serviços de proteção às mulheres vítimas de violência. Uma equipe de Piraquara visitou a cidade nesta quinta-feira, 17, para conhecer como funciona a rede de atendimento montada pela Secretaria Municipal da Mulher, Desenvolvimento Social e Igualdade Racial.
A estrutura paranaguaense reúne o Centro Integrado da Mulher, a Casa da Mulher Parnanguara, o Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM) em fase de implantação, além de acolhimento provisório e temporário e ações de prevenção e proteção. A superintendente Fabíola Soares Arcega apresentou aos visitantes o Departamento da Mulher e explicou como funciona o atendimento, o acolhimento e a Patrulha Maria da Penha.
Segundo Fabíola, Paranaguá compartilhará com Piraquara toda a documentação administrativa, formulários de cadastro e fluxos de atendimento utilizados diariamente. “Vai subsidiar as ações que eles possam estabelecer no outro município”, afirmou.
Por que Piraquara busca essa experiência
O município está preparando a implantação de uma Casa da Mulher própria para atender vítimas de violência. A secretária municipal de Assistência Social, Maria Cicarelli de Lima, participou da visita e explicou que os dados do município reforçaram essa necessidade. Em 2025, Piraquara registrou mais de 700 medidas protetivas e mais de 67 mulheres atendidas no CREAS, o serviço de proteção social para famílias.
Maria Cicarelli avaliou positivamente a estrutura de Paranaguá, destacando a integração entre os serviços e o fluxo de encaminhamento das mulheres. “A organização deste espaço é bem completa para atender essas demandas”, disse.
Como Paranaguá organiza o atendimento
O CRAM é o centro da rede de proteção em Paranaguá. O município criou um protocolo unificado que reúne encaminhamentos de 11 portas de entrada: Patrulha Maria da Penha, Polícia Civil, Polícia Militar, SEMDIR, Educação, Saúde, Judiciário, Conselho Tutelar, PAM, Procuradoria e também por demanda espontânea, quando a própria vítima busca ajuda.
O atendimento inicial divide-se por faixa etária: adolescentes são atendidas pelo CREAS, mulheres de 18 a 59 anos pelo CRAM e mulheres idosas novamente pelo CREAS. Em todos os casos, o CRAM realiza o primeiro atendimento e oferece orientações.
O que é a rede de proteção à mulher
A rede de proteção funciona como um sistema integrado onde diferentes órgãos trabalham juntos para acolher, orientar e encaminhar mulheres em situação de violência. Inclui delegacias, unidades de saúde, escolas, judiciário e serviços de assistência social que se comunicam para garantir que a vítima receba suporte completo e seguro em cada etapa do processo.
Esse modelo evita que a mulher precise repetir sua história em vários lugares diferentes e acelera o atendimento e a proteção. O CRAM é responsável por centralizar essas informações e coordenar o fluxo entre os serviços, garantindo que nenhuma demanda fique sem resposta.
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