Paulo Henrique Rosa de Souza dormiu na rua, passou dias sem comer e enfrentou chuva e frio. Há pouco mais de um mês, essa realidade mudou. Acolhido na Casa de Passagem II desde o começo deste ano, ele agora trabalha como Microempreendedor Individual (MEI) prestando serviços à Prefeitura de Foz do Iguaçu.
O trabalho chegou por meio do projeto Ambiência Participativa, iniciativa que identifica habilidades dos acolhidos e os prepara para retornar ao mercado de trabalho. A Secretaria Municipal de Assistência Social auxiliou Paulo com documentação pessoal e o cadastro como MEI. A Central do Empreendedor o incluiu no programa Repara Foz, que contrata prestadores de serviços para pequenos reparos e manutenções em edifícios públicos.
Atualmente, Paulo pinta o Centro Pop. Enquanto trabalha, motiva outros que vivem a mesma situação que ele conhece bem. “É o trabalho que eu gosto de fazer. Eu tenho um talento, tenho um dom”, diz, emocionado com a oportunidade.
Planos de recomeço
Com renda estável, Paulo faz planos concretos para a vida. “O projeto agora é alugar uma casinha, comprar meus móveis, as minhas coisinhas. Cuidar do meu jardim”, planeja. O trabalho representa, para ele, bem mais que uma fonte de renda: é a recuperação da autonomia e da autoestima.
Sidney Ribeiro, diretor da Proteção Social Especial, vê no caso de Paulo um reflexo do trabalho sistemático realizado com a população em situação de rua. Segundo ele, o objetivo não é apenas acolher, mas ajudar as pessoas a superar a vulnerabilidade. “Uma das principais interpretações das pessoas em situação de rua é que são pessoas que já não produzem, que não têm utilidade. O Seu Paulo é um exemplo claro de o quanto a produtividade pode reacender essa autoestima e mostrar que a integração é possível”, afirma.
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