O Paraná enfrenta risco de chuvas mais frequentes e intensas até o verão 2026/2027 por causa do El Niño, fenômeno climático que aquece a superfície do oceano e altera padrões de precipitação. O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) projeta que volumes elevados de chuva se concentrem em poucos dias, aumentando a probabilidade de temporais severos, granizo, enxurradas e movimentos de terra.
A temperatura da superfície do mar já está 1,8°C acima da média histórica, com aumento consistente desde abril. Entre outubro e dezembro deste ano, há 75% de chance de o El Niño ser o mais forte registrado desde 1950. O fenômeno atingirá seu pico entre novembro e janeiro, quando a temperatura do oceano pode chegar a 2,9°C acima da média.
Onde o risco é maior
Embora todo o Estado possa sofrer com chuvas acima da média, as regiões Centro-Sul, Sul, Oeste e Sudoeste devem registrar os maiores desvios. No litoral, a Serra do Mar merece atenção especial: a topografia montanhosa aumenta o risco de deslizamentos durante períodos de chuva intensa, conforme explicou o meteorologista Reinaldo Kneib, do Simepar.
A chuva acima da média não significa precipitação contínua. O Simepar enfatiza que a distribuição das chuvas depende de sistemas atmosféricos como frentes frias, sistemas de baixa pressão e cavados, que precisam ser acompanhados diariamente através das previsões oficiais.
Inverno já mostrou o padrão
O cenário já começou durante o inverno. Em agosto de 2026, apenas três das 47 estações meteorológicas do Simepar registraram chuva abaixo da média: Cianorte, Maringá e Apucarana. Em julho, somente quatro estações tiveram volume menor que o histórico: Antonina, Cerro Azul, Guaratuba e Guaraqueçaba.
Agosto também marcou recorde para o mês em três localidades: Fazenda Rio Grande (desde 2009), Laranjeiras do Sul (desde 2017) e Distrito de Horizonte, em Palmas (desde 2019).
Temporais e ventos mais frequentes
Além da chuva, o risco inclui temporais com ventos fortes, rajadas, raios e descargas elétricas. Conforme o Simepar, essas condições tendem a se intensificar entre outubro e o início de 2027. A possibilidade aumenta a probabilidade, mas não garante que todos os eventos ocorrerão.
O Simepar recomenda acompanhamento contínuo das atualizações meteorológicas e avisos dos órgãos responsáveis, porque mesmo episódios fortes de El Niño não produzem os mesmos impactos em todas as regiões.
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