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Caminhoneiro de Paranaguá fala sobre 27 anos na estrada, riscos e saudade da família

Aos 43 anos, o caminhoneiro Giscard Soares, de Paranaguá, carrega 27 anos de experiência nas rodovias. Em entrevista concedida na quarta-feira, 16 de setembro, Dia Nacional do Caminhoneiro, ele falou sobre a rotina, os perigos e as histórias de quem trabalha com transporte de cargas no Brasil.

Soares cresceu em uma família de caminhoneiros e desde jovem sabia que queria seguir a mesma profissão. Aprendeu os primeiros passos observando tios e primos no trabalho. Para ele, o essencial é realmente gostar do que se faz. Atualmente trabalha principalmente com transporte de contêineres e há dez a 12 anos atua internamente em Paranaguá, deslocando carga entre terminais.

Na visão dele, a categoria perdeu valorização ao longo dos anos. “Antigamente, alguns anos atrás, o caminhoneiro era bem mais valorizado. Ele era uma peça fundamental. Ele tinha valor. Hoje não que ele não seja mais, mas perdeu um pouco”, disse. Mesmo assim, reconhece que o transporte rodoviário continua indispensável para o país.

Segurança nas rodovias

Um dos pontos que Soares levanta é a falta de conhecimento de motoristas de carros e motos sobre as características dos caminhões. Ele defende que durante o processo de formação de novos motoristas seja ensinado o que é um veículo pesado, como funciona sua potência e quanto tempo leva para ultrapassar em uma subida.

“A pessoa não sabe o que é um caminhão na estrada”, afirmou. Para ele, essa educação reduziria situações de risco nas vias. “Entender o que é um caminhão na estrada seria interessante”, reforçou.

O preço do afastamento

A parte mais difícil da profissão, segundo Soares, é o afastamento da família. “O caminhoneiro já sai com a saudade, viaja com a saudade e não vê a hora de voltar para matar a saudade”, descreveu. Ele relata que deixar filhos e esposa gera impacto emocional importante, especialmente porque viaja sem certeza de volta.

Soares tem um filho que também é caminhoneiro, mas prefere que ele continue trabalhando internamente em Paranaguá em vez de pegar a estrada. “Eu não queria que ele fosse para a estrada”, revelou.

Vida além do caminhão

Soares ficou conhecido em Paranaguá pelas publicações em redes sociais onde mostra o cotidiano de forma descontraída. Um vídeo em que aparece fazendo carinho no filho alcançou 14 milhões de visualizações após ser compartilhado em outras páginas. Ele afirma que nunca teve como objetivo ganhar dinheiro com as redes e sempre agiu de forma natural.

Apesar dos desafios, Soares reconhece que a profissão proporciona experiências e amizades. Durante 27 anos de carreira, viajou até Fortaleza, no Ceará, e conheceu diferentes lugares e pessoas pelo Brasil.

Redação Tudo Acontece Aqui·Expediente·Correções

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