A Festa de Nossa Senhora do Rocio, realizada todos os anos em novembro em Paranaguá, aguarda aprovação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para se tornar Patrimônio Cultural Imaterial. O pedido avança após divulgação oficial em agosto, quando representantes do instituto federal e da Universidade Federal do Paraná entregaram estudos antropológicos iniciados em dezembro de 2021 com investimento de R$ 100 mil.
A celebração reúne milhares de fiéis em missas, romarias e procissões. No seu ponto alto, a imagem da padroeira é levada até a Catedral Diocesana Nossa Senhora do Rosário, atraindo cerca de 100 mil pessoas. O Santuário busca o reconhecimento não só pelo valor histórico, mas como proteção contra mudanças na região portuária, que avança sobre áreas que antes eram residenciais.
Segundo padre Dirson Gonçalves, reitor do Santuário, o título garante que a festa tradicional não possa ser deslocada de lugar ou ter seu formato alterado. “O reconhecimento nos dá uma segurança”, afirmou.
Como funciona a aprovação
O Iphan informa que o processo é longo e criterioso. A documentação encontra-se na etapa de instrução de registro, que envolve elaboração de estudos técnicos, emissão de pareceres, consulta pública e votação pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural. Devido à complexidade, o órgão federal não divulgou prazos para conclusão da análise.
Para alcançar o status de patrimônio nacional, a festividade precisa comprovar relevância para a identidade brasileira, além de demonstrar continuidade histórica e transmissão de saberes entre gerações. Com mais de duzentos anos, a celebração paranaense preenche esses critérios.
Programação e expectativas
Enquanto aguarda o veredito, a organização prepara a 213ª edição da festividade, marcada para 6 a 16 de novembro. A programação inclui novenários, trocas de manto, procissão no dia 15 de novembro e shows de João Neto & Frederico, Grupo Tradição e Anjos de Resgate. A expectativa é atrair mais de 500 mil visitantes ao longo de toda a temporada.
A edição coincide com celebração do Jubileu de Ouro do título de Padroeira do Paraná, outorgado pelo Papa Paulo VI em 1977. Caso aprovado, o reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial poderá fomentar ações de preservação e fortalecer a ligação com o Centro Histórico de Paranaguá, protegido desde 2009.
O litoral paranaense já conta com outras manifestações reconhecidas pelo Iphan: Fandango Caiçara (desde 2012) e Roda de Capoeira. Outras expressões locais, como Folias Caiçaras do Divino Espírito Santo e Práticas da Canoa Caiçara, aguardam análise preliminar.
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