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Pequenas lojas do Paraná apostam em WhatsApp e inteligência artificial para vender mais

O pequeno comércio paranaense está mudando sua forma de vender. Pesquisa do Sebrae, FGV e Google divulgada em março mostra que lojistas investem cada vez mais em digitalização de processos e inteligência artificial para ganhar espaço diante dos grandes marketplaces.

O processo começa simples, com organização de catálogos de produtos e integração de meios de pagamento. Segundo Marcelo Alvino da Silva, mestre em Novas Tecnologias e especialista em Direito Digital, a tecnologia deve simplificar a rotina e eliminar fricções na jornada do consumidor, nunca criar burocracia. O pequeno empresário precisa mapear seus próprios processos antes de buscar ferramentas complexas, priorizando o que realmente resolve gargalos do dia a dia.

Rodrigo Schmidt, coordenador de Desenvolvimento Empresarial da Fecomércio PR, reforça que lojistas agora têm acesso a ferramentas que antes eram restritas às grandes corporações. O caminho, porém, não é copiar os marketplaces, mas fortalecer o diferencial do comércio de bairro: o relacionamento próximo com o cliente. “Os lojistas devem focar em seus pontos fortes, como o relacionamento com os clientes, a experiência de compra diferenciada e a agilidade no atendimento. A tecnologia deve intensificar esses fatores”, afirma. Uma pesquisa recente da Fecomércio e Sebrae sobre o Dia dos Pais confirma que, mesmo com o crescimento do comércio eletrônico, as compras presenciais ainda lideram a preferência do consumidor.

WhatsApp e plataformas avançadas

Entre as ferramentas mais usadas está o WhatsApp, especialmente na versão Business. Alvino recomenda catálogos organizados por categoria, mensagens automáticas de saudação e ausência, e o uso de etiquetas para separar clientes por perfil de compra. O segredo não está em disparar promoções em massa, que podem afastar o consumidor, mas em construir mensagens curtas, personalizadas e humanizadas, reproduzindo a sensação de ser atendido por um vendedor atencioso.

Para negócios que já deram esse primeiro passo, o especialista cita plataformas mais avançadas, como Digisac e Take Blip, que reúnem em um só painel conversas de diferentes redes sociais, como Instagram e Telegram. Essas ferramentas usam inteligência artificial para analisar o comportamento do cliente, cruzar dados de estoque e antecipar recomendações de produtos, muitas vezes antes mesmo de um atendente intervir.

Riscos e caminhos para começar

Mas o avanço tecnológico exige cuidado. Um dos erros mais comuns é adotar plataformas complexas demais para a realidade do negócio, sem avaliar se a equipe está preparada. Outro risco é o isolamento digital: automatizar tanto o atendimento a ponto de apagar o contato humano, justamente o que diferencia o comércio local. “A tecnologia deve ser uma ponte para o relacionamento, nunca um muro”, resume Alvino.

Para quem está começando, o especialista sugere dar os primeiros passos de forma imediata, mesmo que pequenos, sempre com o cliente no centro das decisões. Iniciativas como o Centro de Inovação do Comércio em Londrina e o programa Inova Comércio, da Fecomércio PR em parceria com Sebrae e Senac, têm ajudado lojistas nessa transição.

Um exemplo prático é a Trem Bão, empresa curitibana especializada em produtos da gastronomia mineira. Depois de mais de dez anos em feiras, bazares e uma loja física, fechou as portas há um mês e meio para se dedicar apenas às vendas online, com base em um crescimento de 40% nesse canal. O atendimento direto pelo WhatsApp ajudou a manter a proximidade com clientes mesmo à distância, e produtos como as opções zero açúcar atraem um público cada vez mais específico.

Redação Tudo Acontece Aqui·Expediente·Correções

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