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Brasil gasta mais com fertilizantes importados enquanto volume cai 7,4%

O Brasil pagou R$ 44,8 bilhões em fertilizantes entre janeiro e julho de 2026, um aumento de 7,3% ante o mesmo período do ano anterior. Paradoxalmente, o volume importado caiu 7,4% no intervalo. A combinação expõe a vulnerabilidade do país a instabilidades internacionais.

Entre 80% e 85% dos fertilizantes utilizados no Brasil vêm do exterior. Conflitos na Rússia e Ucrânia, além de tensões no Oriente Médio, influenciam os preços globais e afetam o custo das rotas comerciais. Quando o preço internacional sobe, a margem dos produtores se reduz e a pressão chega até a cadeia de alimentos.

O risco da redução de insumos

Diante do custo elevado, existe o risco de o produtor cortar gastos com fertilizantes aquém do necessário. Usar menos sem orientação técnica compromete a produtividade e esgota os nutrientes do solo. A resposta adequada não é aplicar menos, mas aplicar melhor.

Tecnologias como agricultura de precisão, análise de solo, biofertilizantes e inoculantes reduzem desperdícios. A Embrapa Soja, em Londrina, desenvolve pesquisas há décadas sobre fixação biológica de nitrogênio. Na soja, bactérias capturam nitrogênio da atmosfera, substituindo parcialmente a adubação nitrogenada convencional e reduzindo a dependência de importações desse nutriente.

Antecipação como estratégia

A solução não virá de imediato, mas o Brasil precisa se preparar para que o agronegócio não fique refém de crises externas. Investir em pesquisa científica nacional e técnicas que maximizem o uso dos recursos disponíveis são caminhos para aumentar a segurança da agricultura sem eliminar a necessidade de fornecedores internacionais.

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