Ambientes repletos de terminais eletrônicos para apostas funcionam legalmente em Curitiba sob regulação da Loteria do Estado do Paraná (Lottopar), mas sua expansão pela paisagem urbana levanta questões sobre a normalização do jogo no cotidiano.
Os estabelecimentos funcionam como lojas autorizadas, com fileiras de máquinas, iluminação intensa e telas coloridas. Juridicamente, os terminais são classificados como videoloteria de modalidade instantânea, regulamentados e fiscalizados, e diferem das máquinas caça-níqueis ilegais. Apesar dessa distinção legal, a semelhança visual com ambientes de cassino é evidente.
A normalização do jogo nas ruas
O que antes se resumia a aplicativos no celular agora ocupa endereços físicos. Há pontos de apostas em diferentes bairros da cidade, alguns funcionando até tarde. Uma das operações comerciais oferece “café e loterias”, associando o jogo à rotina de um hábito corriqueiro como tomar uma bebida antes do trabalho.
Esse processo de banalização do jogo contrasta com políticas governamentais de proteção. O Brasil acaba de endurecer regras de publicidade de apostas e exige advertências sobre riscos de dependência. Simultaneamente, o acesso físico ao jogo diminui a distância entre o cidadão e a atividade para poucos metros.
A contradição entre regulação e acesso
Mais de 1,2 milhão de brasileiros usaram a plataforma federal de autoexclusão para solicitar que o governo os impedisse de acessar casas de apostas, citando perda de controle e problemas de saúde mental entre as razões. Estudos mostram relação entre expansão das bets e piora da situação financeira dos jogadores.
A Lottopar afirma que fiscaliza os pontos autorizados, verifica sistemas, equipamentos e mecanismos de proteção, incluindo restrições a menores de idade e pessoas autoexcluídas. Ainda assim, a questão central persiste: se uma atividade reconhecidamente capaz de produzir dependência passa a estar disponível com a mesma naturalidade de um café, o poder público deveria questionar sua presença tão facilitada nas cidades.
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