O Paraná enfrenta sexta-feira (11) chuvas intensas e vendavais que podem gerar tempestades severas em todo o estado. O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) e a Defesa Civil destacam a sexta como o dia com maior quantidade de alertas, especialmente para as regiões Oeste, Sudoeste e Campos Gerais. O risco é classificado como alto para o Norte, litoral e Leste, enquanto outras áreas recebem alertas de preocupação muito altos.
Na quarta (9) à noite e madrugada da quinta (10), dois tornados foram registrados no estado: um em Francisco Alves e outro em Espigão Alto do Iguaçu. Duas escolas tiveram estruturas afetadas e plantações foram danificadas, mas não houve feridos até o momento. A sexta será o dia mais extremo nas previsões meteorológicas de 2026 para o Paraná.
El Niño intensifica chuvas na região
O aumento de tempestades coincide com a primavera, quando as precipitações são mais fortes, e com a intensificação do fenômeno El Niño. O El Niño é um evento natural que aquece as águas do Oceano Pacífico e, neste ano, é classificado como “Super” pela alta intensidade. Aquecimento global e mudanças climáticas são apontados como causas do desequilíbrio.
Ivan Ricardo Fernandes, coordenador executivo da Defesa Civil do Paraná, afirma que “todo o cenário previsto, que é o cenário do El Niño, já está trazendo impactos no estado”. Na região Sul, o fenômeno causa variação de chuvas e tempestades, enquanto Norte e Nordeste enfrentam secas e altas temperaturas. A previsão é que o El Niño persista até maio de 2027, trazendo precipitações acima da média histórica do estado durante esse período.
Maioria dos municípios não tem estrutura de defesa civil
Estudo recente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) revelou que 60,9% das prefeituras paranaenses não possuem espaço físico dedicado exclusivamente para ações da Defesa Civil. Em 2025, desastres naturais atingiram 246 municípios do estado.
Em 2024, a região de Rio Bonito do Iguaçu foi atingida por um tornado de categoria F4 (penúltimo nível de intensidade na Escala Fujita Aprimorada), causando 6 mortes em Rio Bonito do Iguaçu e 1 morte no assentamento Nova Geração em Guarapuava. Mais de 2 mil pessoas ficaram desalojadas. Agosto de 2026 registrou a maior quantidade de desastres ambientais da história do Paraná, com expectativa de intensificação em setembro e outubro.
Katya Isaguirre, professora de Direito da Universidade Federal do Paraná e coordenadora do Núcleo de Pesquisa e Extensão em Direito Socioambiental (Ekoa), destaca que “desastres não se enfrentam apenas depois que acontecem”. Ela aponta que segurança climática e prevenção exigem ações coordenadas e contínuas em curto, médio e longo prazo, além de políticas públicas que respeitem conhecimentos de povos indígenas e comunidades tradicionais.
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