O Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência apresentou na segunda-feira (24) à Câmara de Ponta Grossa um conjunto de demandas para ampliar a inclusão na cidade. Segundo o presidente do Conselho, Fabiano Gioppo, o município tem cerca de 70 mil pessoas com deficiência que precisam de acesso garantido a saúde, educação, emprego, esporte, lazer, cultura e mobilidade.
“Inclusão não é apenas colocar uma pessoa em um espaço. Inclusão é garantir que ela possa falar e ser ouvida”, afirmou Gioppo durante a apresentação, feita na Tribuna Livre da sessão ordinária. A participação coincidiu com a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, celebrada anualmente entre 21 e 28 de agosto.
Alimentação nas instituições
Um dos principais desafios identificados é a manutenção das atividades nas instituições que atendem pessoas com deficiência. As entidades relatam dificuldades para custear a alimentação dos usuários, dependendo frequentemente de rifas, bazares e eventos para arrecadar recursos. Gioppo propôs a criação de um programa de nutrição inclusivo, com possibilidade de usar emendas parlamentares especificamente para cobrir esses custos e garantir estabilidade às instituições.
O objetivo é viabilizar o funcionamento contínuo dos serviços sem depender de arrecadações pontuais.
Mobilidade e equipamentos
Gioppo também destacou a mobilidade como demanda urgente. Sugeriu a criação de uma rota acessível de transporte coletivo que conecte as instituições ao Terminal Central, facilitando o deslocamento para atendimentos e atividades de lazer.
Outra necessidade apontada é ampliar o acesso a equipamentos de mobilidade. Conforme o presidente, são frequentes os pedidos de muletas, cadeiras de rodas e cadeiras motorizadas. A proposta é usar emendas parlamentares para comprar esses equipamentos e organizá-los conforme as necessidades da população.
Famílias fora do mercado de trabalho
Gioppo ressaltou a situação de pais e mães que precisam deixar o emprego para cuidar de pessoas com deficiência. Muitas vezes essa necessidade de acompanhamento persiste mesmo quando os filhos chegam à idade adulta, gerando impactos econômicos e sociais para as famílias.
Ao encerrar a participação, o presidente do Conselho enfatizou que a discussão sobre inclusão precisa considerar as pessoas e suas famílias além dos números: “Que cada pessoa com deficiência possa olhar para o futuro e ter a certeza de que Ponta Grossa não apenas discute inclusão, mas trabalha diariamente para construí-la”.
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