O calor extremo relacionado ao El Niño, fenômeno que aquece as águas do oceano Pacífico, agrava sintomas de doenças neurológicas como esclerose múltipla, Parkinson e demência, alertam especialistas. As altas temperaturas também aumentam o risco de acidente vascular cerebral, crises epilépticas e episódios de confusão mental.
Segundo a Noaa, administração oceânica e atmosférica dos Estados Unidos, o evento climático está em nível forte e deve evoluir para muito forte a partir de setembro.
Como o calor afeta cada doença neurológica
Em pacientes com Parkinson, as temperaturas altas funcionam como sobrecarga para o coração. O calor faz a pressão arterial cair enquanto acelera os batimentos cardíacos. Como o Parkinson já prejudica a capacidade do corpo em controlar automaticamente a pressão sanguínea, quedas bruscas de pressão, tonturas, desmaios e piora no equilíbrio e mobilidade podem ocorrer rapidamente.
Na esclerose múltipla, o organismo carrega cicatrizes de lesões inflamatórias no sistema nervoso. Diante do forte calor, essas cicatrizes sofrem uma sobrecarga temporária e sintomas já superados voltam a aparecer. Uma perna que havia melhorado pode voltar a arrastar, ou formigamentos reaparcem. Isso não significa que a doença está progredindo, mas é um efeito comum do calor sobre áreas já lesionadas.
Em pacientes com Alzheimer e outras demências, o calor causa desidratação, que agrava a confusão mental e acelera o declínio cognitivo temporário. Idosos com essas condições frequentemente têm dificuldade para comunicar mal-estar ou pedir água, ficando mais expostos aos efeitos do calor. Especialistas relatam aumento expressivo de internações durante os meses mais quentes em pacientes com demência.
O tempo quente prejudica o sono, fator de risco para crises epilépticas. Semanas inteiras sem dormir bem pela falta de temperatura adequada no quarto ou ruído de ventilador aumentam o risco. Para quem sofre de enxaqueca, o sono inadequado e o ambiente desconfortável atuam como gatilho, já que o cérebro desses pacientes é hipersensível a estímulos externos como excesso de luz e barulho.
Efeitos em pessoas saudáveis
Mesmo quem não tem doença neurológica sofre com o calor intenso. O corpo fica mais lento, a atenção diminui e aumenta a propensão a erros. Cansaço físico e mental se agravam. O calor também desencadeia síncope vasovagal, a principal causa de desmaios, provocada por queda súbita da pressão arterial e frequência cardíaca.
Sinais de alerta
Tontura, fraqueza, dor de cabeça, náuseas, cãibras, palpitações, falta de ar e queda de pressão indicam que o corpo está em desequilíbrio com o calor. Confusão mental aguda, sonolência excessiva, convulsões, desmaio, dor de cabeça intensa e persistente, alteração da fala, perda de força, dor no peito ou falta de ar importante exigem avaliação médica imediata.
Como se proteger
- Evite se expor ao sol, principalmente nos períodos de maior temperatura
- Use roupas leves e adequadas à estação
- Hidrate-se constantemente; não espere a sede surgir
- Evite atividades físicas nos horários de maior calor
- Mantenha os ambientes ventilados ou climatizados
- Acompanhe a qualidade do ar em dias de queimadas
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