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Empresas usam inteligência artificial para automatizar tarefas, Banco do Brasil reduz câmbio de 40 para 4 minutos

Empresas de diferentes setores estão expandindo o uso de agentes de inteligência artificial para automatizar processos operacionais, analisar dados em massa e acelerar rotinas. A tendência foi apresentada por executivos durante o Comex Tech Forum 2026, realizado em São Paulo no dia 2.

Os agentes de IA funcionam de forma diferente das ferramentas de consulta ou geração de conteúdo. Eles recebem comandos e informações disponíveis, executam tarefas com diferentes graus de autonomia e sempre sob supervisão humana para decisões finais.

Câmbio e logística na ponta da adoção

No Banco do Brasil, um agente autônomo trabalha no processamento de câmbio. Segundo Juliano Mercatto, diretor de Negócios Internacionais da instituição, a tecnologia reduziu o tempo de processamento de uma negociação de 40 minutos para quatro minutos. O agente reúne documentos e informações, consolida tudo para análise, mas a decisão final permanece com um profissional humano. A meta é agilizar o processo e liberar os funcionários para trabalhos estratégicos e análise de risco.

Na logística, a aplicação ocorre principalmente na análise e conferência de documentos. A CSS, empresa de logística, utiliza servidores exclusivos para operar ferramentas de IA alimentadas com documentos, procedimentos e informações da rotina. A tecnologia agora faz relatórios, checagens e sugere correções em processos de importação e exportação, atividades que antes dependiam exclusivamente de trabalho manual.

IFood cria 12 mil agentes em seis meses

O iFood adotou agentes de IA em escala ainda maior. A empresa criou 12 mil agentes de IA em seis meses, segundo Camila Pinto, HR and Partner da companhia. A estratégia permite que os próprios funcionários identifiquem tarefas que podem ser automatizadas. O objetivo é retirar atividades operacionais do profissional e liberar tempo para trabalhos de maior valor, como criação, colaboração e tomada de decisões.

A empresa relatou o caso de uma equipe que realizava tarefas administrativas e, após implementar uma solução de inteligência artificial, pôde ser realocada para projetos relacionados à própria tecnologia.

Compras e fornecedores ganham agilidade

Na área de compras, a MANN+HUMMEL utiliza agentes para coleta e análise de dados de commodities. André Rodrigues, responsável por Procurement América Latina, afirmou que a empresa trabalha com mais de 13 commodities, e os agentes são especializados para diferenciar cada uma e agilizar as análises.

A tecnologia também é usada para pesquisa e homologação de fornecedores. Na Integralmédica, a diretora de Supply Chain & Operações, Vanessa Casachi, afirmou que a IA ajuda a localizar fornecedores, reunir contatos e até comparar especificações de produtos. Ela ressaltou, porém, que a decisão continua sendo humana, especialmente em setores que exigem avaliação presencial dos fornecedores.

Segurança e controle em primeiro plano

A expansão dos agentes aumenta preocupações com segurança, governança e proteção de dados. A MANN+HUMMEL trabalha com as áreas de TI e jurídica para definir limites ao uso da tecnologia. Dados financeiros e informações sujeitas a regras de compliance exigem controles específicos. O Banco do Brasil também possui uma política de ética e governança para o uso de inteligência artificial.

Os executivos ouvidos no evento convergem que a tendência é os agentes assumirem uma parcela crescente das atividades operacionais, enquanto os profissionais permaneçam responsáveis por decisões de maior complexidade, supervisão e análise de riscos.

O que são agentes de IA

Agentes de inteligência artificial são sistemas treinados para executar tarefas específicas a partir de comandos e informações disponíveis. Diferem das ferramentas comuns de IA porque funcionam de forma contínua, realizando ações sequenciais em vez de apenas responder perguntas ou gerar texto. Podem trabalhar com diferentes graus de autonomia, mas sempre precisam de supervisão humana para decisões finais e críticas.

Essa tecnologia é especialmente útil para processos repetitivos, análise de grandes volumes de dados e consolidação de informações. Ao automatizar essas tarefas, libera profissionais para trabalhos que exigem julgamento humano, criatividade e análise estratégica.

Redação Tudo Acontece Aqui·Expediente·Correções

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