HomeFazenda Rio GrandeMulheres já são maioria entre vendedoras da Shopee; veja os desafios

Mulheres já são maioria entre vendedoras da Shopee; veja os desafios

Mulheres representam mais da metade dos vendedores ativos na Shopee. Os números revelam força do empreendedorismo feminino no Brasil, mas também expõem barreiras que travam o crescimento desses negócios.

O levantamento da plataforma mostra que 51% das vendedoras ativas são mulheres. Delas, 75% começaram a empreender após virar mães. Entre as inscritas no programa Mulher do Ano Shopee, 84% trabalham sozinhas sem sócios, 60% ficam no interior ou polos produtivos e 88% vendem produtos fabricados no Brasil.

Crescimento nacional com desafios estruturais

O empreendedorismo feminino cresceu 27% no Brasil entre 2015 e 2025, passando de 8,2 milhões para 10,4 milhões de mulheres donas de negócio. No mesmo período, o empreendedorismo masculino avançou 11%, chegando a 19,9 milhões. Apesar da expansão, o perfil segue concentrado: maioria entre 30 e 49 anos, cerca de 70% mães e mais de 70% em moda, beleza, alimentação e serviços.

Os dados foram apresentados na terça-feira (18) durante o Shopee Trends, evento realizado em São Paulo que reuniu cerca de 10 mil participantes. As empreendedoras inscritas no programa Mulher do Ano vêm de 16 estados e 297 cidades, e 80% dos negócios atendem grupos com menor acesso a oportunidades.

Falta de capital, isolamento e inovação limitada

Ana Fontes, fundadora e CEO da Rede Mulher Empreendedora, destaca que o acesso a capital é um dos principais entraves. A dificuldade de conseguir crédito, microcrédito, fundos de investimento e investidores-anjo limita o crescimento. Mais de 55% das empreendedoras dependem unicamente da renda do próprio negócio para sobreviver.

Outro desafio é a sobrecarga de cuidados. Cerca de 70% das mulheres empreendem após a maternidade, buscando flexibilidade, mas ampliando a pressão na rotina. Segundo Ana, 80% da economia do cuidado é feita por mulheres. A falta de rede de apoio e o isolamento também pesam: a maior parte trabalha sem sócios, o que intensifica a solidão da jornada.

A inovação permanece restrita. A maioria das empreendedoras inicia nos mesmos setores: moda, beleza, alimentação e serviços. A questão não é falta de interesse, mas acesso a conhecimento e ferramentas que permitam expandir dentro desses próprios mercados.

Plataformas digitais abrem caminho

Plataformas de comércio eletrônico reduzem barreiras de entrada e ampliam canais de venda para essas empreendedoras. A Central de Educação dos Vendedores da Shopee já capacitou mais de 650 mil pessoas com conteúdos sobre fotografia de produtos, estratégias de venda e uso da plataforma. O programa Mulher do Ano Shopee foi criado para dar visibilidade a histórias de empreendedoras e incentivar a entrada no comércio digital.

Redação Tudo Acontece Aqui·Expediente·Correções

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