Santo Antônio da Platina completou 112 anos de emancipação política neste fim de semana, mas a história do município é bem mais antiga. Antes de virar cidade em 1914, a região já era habitada por povos indígenas e depois recebeu mineiros, paulistas e imigrantes de várias nacionalidades que construíram a identidade local.
Povos originários e os primeiros ocupantes
A região entre o Ribeirão da Aldeia e o Ribeirão Boi Pintado era ocupada por povos de tradição Tupi-Guarani. O próprio nome Água da Aldeia vem dessa presença indígena antiga. Próximo ao Rio das Cinzas e em áreas como Monte Real e Gurucaia também havia comunidades Kaingang. A história carrega também um episódio doloroso: em 1911 ocorreu um massacre envolvendo indígenas Kaingang entre os rios das Cinzas e Laranjinha, cometido por homens armados. A Promotoria Pública denunciou 14 envolvidos no ataque.
Depois da presença indígena, mineiros e paulistas chegaram em busca de novas terras e oportunidades. O primeiro núcleo surgiu aos pés do Morro do Bim, entre os dois ribeirões. Em 1901, foi criado oficialmente o distrito de Santo Antônio da Platina, ainda pertencendo a Jacarezinho. A emancipação política veio em 31 de março de 1914, pela Lei Estadual nº 1.424. A instalação do município ocorreu em 20 de agosto daquele ano, data que marca o aniversário. Em 1929, a sede municipal virou cidade.
Ferrovia e a Avenida dos ipês
O nome Platina tem mais de uma versão. Uma relaciona a denominação à Pedra Branca, onde as águas refletiam luz e lembravam prata. Outra aponta para possível presença de platina ou minério precioso na região. A ferrovia foi importante para o desenvolvimento: documentos da década de 1920 registravam a denominação Platina. Durante a implantação do Ramal do Paranapanema surgiram as estações Washington Luiz e Nova Platina, depois consolidadas como Estação Platina, que permanece como patrimônio histórico.
A geografia também moldou a cidade. Santo Antônio da Platina está na Bacia Hidrográfica do Rio das Cinzas, que é seu principal curso d’água, além do Rio Jacaré e ribeirões como o da Aldeia, Boi Pintado, das Bicas e Bonito. Morros como o Bim, do Sabão, do Valero e da Pedra Branca compõem a paisagem local. A Avenida Oliveira Mota é conhecida pelos ipês-rosas e amarelos durante a floração, um símbolo afetivo da cidade que merece preservação.
Múltiplos povos que formaram a cidade
Ao longo das décadas, novos municípios surgiram do território: Joaquim Távora, Guapirama, Ribeirão do Pinhal, Jundiaí do Sul e Abatiá se desmembraram. A população se tornou cada vez mais diversa. Além dos mineiros e paulistas, chegaram famílias de origem italiana, espanhola, portuguesa, japonesa, alemã, holandesa, suíça, austríaca, polonesa, ucraniana, síria, libanesa, judaica e de outros povos. Cada grupo trouxe costumes, tradições, receitas e histórias que passam a integrar a identidade do município.
Celebrar os 112 anos vai além de uma data no calendário. Significa reconhecer os povos indígenas que primeiro habitaram o território, os pioneiros, as famílias que chegaram depois e todos que contribuíram para a construção da cidade. A memória está nas casas antigas, nas árvores, nas fotografias, nas histórias dos moradores, nos caminhos antigos e na Estação da Platina. Preservar esses elementos garante que futuras gerações conheçam suas raízes.
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