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Chuvas antecipam efeitos do Super El Niño no Sul antes do pico em setembro

O Sul do Brasil já sente na pele o que o Super El Niño promete trazer. Enquanto o fenômeno climático deve atingir seu pico entre setembro e dezembro, chuvas do fim de semana passado deixaram quase 60 mil pessoas em apuros no Rio Grande do Sul. A Defesa Civil estadual contabiliza 488 desabrigados e 762 desalojados.

A maioria dos atingidos está concentrada no Vale do Taquari, que representa 91,6% dos desabrigados gaúchos. Lajeado lidera com 321 pessoas afetadas, seguida por Encantado com 100 e Estrela com 26. Em julho, 17 municípios tiveram situação de emergência reconhecida pela Defesa Civil Nacional. Os rios dos Sinos, Uruguai e Jacuí permanecem em alerta vermelho de inundação.

Santa Catarina já registra primeiro evento ligado ao fenômeno

Santa Catarina iniciou seu primeiro impacto direto do El Niño em 16 de julho, segundo sua própria Defesa Civil. O estado havia decretado alerta climático em maio por 180 dias, após detectar 90% de probabilidade de o fenômeno se formar. Entre 21 e 22 de julho, chuva intensa atingiu 24 municípios, principalmente no Oeste, Meio-Oeste e Alto Vale do Itajaí.

Localidades como Campo Erê, Coronel Freitas e Videira receberam mais de 100 milímetros de chuva em 24 horas. Os efeitos foram alagamentos, interdição de rodovias e saída preventiva de famílias de suas casas. No litoral sul, Jaguaruna enfrentou em maio ressaca com ondas de quatro metros que danificaram passarelas. O município também viveu em dezembro de 2024 um tsunami meteorológico, quando o mar avançou mais de dez quilômetros para dentro do continente.

Rio Grande do Sul ainda lida com cicatrizes de 2024

O que ocorre agora no estado ecoa diretamente a maior enchente da história gaúcha em maio de 2024. Aquele desastre deixou 181 mortos, tirou mais de 580 mil pessoas de casa e a reconstrução foi estimada em 19 bilhões de reais. Após aquele evento, o Serviço Geológico do Brasil mapeou emergencialmente 1.944 áreas de risco alto e muito alto em 95 municípios, onde vivem 564 mil pessoas.

Porto Alegre investiu em telemetria nas estações de bombeamento, geradores fixos e válvulas contra refluxo. Contudo, a semana atual mostra que a fragilidade não se limita à capital. Interior, Vale do Taquari e cidades como Eldorado do Sul voltam a sofrer primeiro com as chuvas.

Paraná recebe aviso técnico sobre risco de tempestades

No Paraná, a Defesa Civil estadual e o Simepar emitiram alerta conjunto sobre o ciclo El Niño 2026/2027. O risco aumenta para tempestades severas com vendavais, granizo de médio a grande porte, enxurradas urbanas e deslizamentos na Serra do Mar. Curitiba, porção leste e litoral recebem atenção especial.

O risco imediato concentra-se no Oeste, Sudoeste e Centro-Sul paranaense. A Região Metropolitana de Curitiba e o litoral foram descritos pela Defesa Civil como territórios de tempo mais estável. O documento recomenda que gestores municipais atualizem cadastros de áreas de risco, façam dragagem preventiva de canais e monitorem constantemente os alertas em tempo real.

O engenheiro Felipe Fogaça, especialista em preparação para desastres, reforça que o padrão se repete. Ele questiona: a pergunta que importa não é lamentar o episódio, mas sim o que muda de fato até o próximo. Segundo ele, preparo real significa ter antes da crise o mapa de quem precisa, o estoque posicionado e o protocolo testado.

Fonte: Diário do Sudoeste

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