As ações do Grupo Casas Bahia acumulam perda de 99,86% desde 2020, quando chegaram a R$ 489,08. No dia 14 de agosto, último pregão antes do anúncio, fecharam em R$ 0,66. No dia seguinte, segunda-feira (17 de agosto), caíram mais 30% e eram negociadas a R$ 0,46.
Na noite de domingo (16 de agosto), a empresa anunciou o protocolo de recuperação judicial no Foro Central Cível de São Paulo. O pedido envolve a companhia e outras nove empresas do grupo, com objetivo de reorganizar as finanças, renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e manter as operações funcionando. A decisão ainda precisa ser ratificada pelos acionistas em assembleia.
Por que chegou neste ponto
A Casas Bahia aponta uma combinação de fatores para a crise. A empresa investiu pesado em tecnologia e logística para competir no comércio eletrônico. A pandemia derrubou as vendas das lojas físicas. Os juros subiram muito a partir de 2021, tornando caras as dívidas da empresa.
O modelo de negócio da Casas Bahia depende de financiamento para manter estoques e oferecer crédito aos clientes. Com juros altos, uma fatia cada vez maior da receita operacional foi desviada para pagar despesas financeiras. Simultaneamente, o consumo das famílias caiu e a inadimplência subiu.
Reestruturação profunda
Em 2023, a empresa começou a cortar custos. Fechou 55 lojas e demitiu cerca de oito mil e seiscentas pessoas. Em 2024, renegociou parte das dívidas por meio de um acordo extrajudicial que a própria empresa considerou bem-sucedido. Ainda assim, a pressão financeira continuou.
Entre 2024 e 2026, a Casas Bahia aprofundou a reestruturação. Demitiu mais três mil funcionários e fechou quase trezentas lojas. O grupo afirma empregar atualmente mais de vinte mil pessoas. No segundo trimestre de 2026, a empresa registrou prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões. Desse total, R$ 9,1 bilhões correspondem a ajustes contábeis sem impacto imediato no caixa. A receita líquida cresceu 1,6% para R$ 6,98 bilhões, e as vendas on-line avançaram 15,3%, chegando a R$ 2,8 bilhões.
Mudanças na liderança
Fábio Spina deixou o cargo de vice-presidente de Jurídica e Tributária e foi substituído por Sírley Lima. A empresa também informou outras mudanças na estrutura de gestão.
- Pedido de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia foi protocolado no Foro Central Cível de São Paulo em 16 de agosto de 2026
- Envolve a companhia e outras nove empresas do grupo
- Objetivo: renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e garantir continuidade das operações
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